Juízes terão acesso a extratos bancários via penhora on-line.

A nova fase do sistema de penhora on-line, que passa a funcionar no próximo dia 29, já tem sido motivo de grande preocupação entre os advogados. Isso porque os juízes usuários do sistema passarão a ter acesso direto às movimentações bancárias de empresas e pessoas físicas.

Como ainda não há esclarecimentos sobre o funcionamento desta ferramenta na prática, os advogados já estão apreensivos com possíveis abusos que essa medida pode causar, como a violação de direitos constitucionais, entre eles o sigilo bancário e a privacidade.

A Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), que reúne 83 mil associados, já encaminhou ofício ao Banco Central para pedir esclarecimentos quanto à nova utilização do sistema. Segundo o advogado Marcio Kayatt, presidente da associação, o ofício foi enviado há 15 dias, mas ainda não houve retorno do Banco Central.

"A grande preocupação da associação é de que a penhora on-line, que já demonstrou ser um instrumento extremamente eficiente na solução de litígios, passe a ser mal utilizada, violando garantias dos cidadãos, como o sigilo bancário."

De acordo com o presidente, a associação deverá aguardar os esclarecimentos sobre o funcionamento do sistema. " Se houver qualquer violação dos direitos dos cidadãos, vamos estudar quais serão as medidas cabíveis."

O uso do sistema de penhora on-line pelos juízes tem crescido significativamente. Ano passado houve o dobro de pedidos de 2006. Em 2007, foram cerca de 2,6 milhões e em 2006, cerca de 1,3 milhões, segundo dados do Banco Central.

O fato de não haver um esclarecimento maior sobre a utilização do sistema, que já tem sido bastante utilizado, tem deixado a classe dos advogados apreensiva. "Hoje um juiz, quando pede a quebra de sigilo de uma conta, precisa apresentar um pedido bem fundamentado ao Banco Central .

Não sabemos como isso funcionará na prática, se os juízes terão acesso direto à movimentação financeira", diz o presidente da Associação. Outro problema levantado é com relação ao acesso ao sistema de penhora on-line (Bacen Jud). "Se o juiz pode acessar o programa de qualquer computador, pode haver a dificuldade de rastrear de onde vem esta ordem e de quem teve acesso aos dados bancários", afirma Kayat.

O advogado Eduardo Maneira, do Sacha Calmon Misabel Derzi Consultores e Advogados, também acredita que o acesso irrestrito às movimentações bancárias daria um poder exarcebado aos juízes. "Essa medida, em princípio, corre o risco de ser arbitrária , pouco razoável ou desproporcional a aquilo que a penhora on-line pretende ser."

Se após a prática do uso do novo sistema ficar comprovado que o juiz realmente poderá ter esse acesso irrestrito sem que haja justificativa, seria o caso de questionar a medida jucidialmente, segundo ele. "Dar uma senha de acesso que possibilite ao juiz entrar na conta de qualquer um sem ser provocado é um absurdo e é inconstitucional."

Coibição de fraudes - O fato de o juiz ter acesso às movimentações financeiras, além de agilizar a penhora - já que o juiz não precisará mais aguardar as informações do Banco Central-, também pode possibilitar uma maior averiguação de fraudes. Isso porque o juiz pode verificar se houve movimentação para retirar o dinheiro da conta pouco antes que haja a penhora.

No entanto, de acordo com Antônio Carlos de Oliveira Freitas, do Luchesi Advogados, esta não seria a única maneira de evidenciar que houve fraude e nem a mais eficaz, pois esse dinheiro não seria rastreado. " Essa medida causa mais transtornos do que eficácia", diz.

O advogado Celso Botelho de Moraes também concorda com que há violação do sigilo bancário e da privacidade. "As pessoas que tiverem seus direitos violados devem reclamar na Justiça", diz.

A principal reclamação com relação à penhora on-line também continua: o fato de empresas ou pessoas que têm mais de uma conta bloqueada. Segundo Mariana Albuquerque Melo, do Maluf & Moreno Advogados Associados, "estes abusos ainda acontecem com freqüência".

A nova fase do sistema de penhora on-line, que passa a funcionar no próximo dia 29, já incomoda empresas e advogados. Agora os juízes do sistema passarão a ter acesso direto às movimentações bancárias de empresas e pessoas físicas. Como não se sabe como funcionará esta ferramenta, os advogados já estão apreensivos com possíveis abusos.


Fonte: Diário do Comércio, Indústria e Serviços, por Adriana Aguiar, 15.02.2008

Compete ao TRF
Compete ao TRF dirimir conflitos entre juizados especial e comum da mesma seção judiciária

Prazo
Não há prazo mínimo entre citação e interrogatório

Atenção Advogados
STJ confirma que comprovante de pagamento de custas retirado da Internet não tem validade

Carta de preposição
Ausência de carta de preposição não configura irregularidade

E-mail corporativo
E-mail e a Justiça do Trabalho

Prova em processos
Cópias simples poderão ser usadas como prova em processos.

INSS sobre Aviso Prévio
INSS sobre Aviso Prévio - Descabimento

Prazo legal de recurso
Intimação por via postal não altera prazo legal de recurso

Carnaval
Dias de Comemoração não são feriado nacional.

Tribunal de Justiça do Piauí
TJ lança cálculo de custas processuais via internet

Atenção aos centavos
Justiça Trabalhista não abre mão de centavos em depósito recursal.

Cobrança de INSS
Cobrança de INSS sobre aviso prévio é suspensa.